A importância da escrita manual na infância

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A importância da escrita manual na alfabetização


“Temos visto cada vez mais pais reclamando que seus filhos estão tendo dificuldades na
escola, que não foram ensinados a escrever porque usam principalmente computadores e
outros aparelhos”, diz Kelsey Voltz-Poremba, professora-assistente de terapia
ocupacional da Universidade de Pittsburgh (EUA).

Mesmo na era digital, a escrita continua sendo uma ferramenta indispensável no processo
educacional, desempenhando um papel central no desenvolvimento intelectual e social
das crianças. Desde os primeiros anos de vida até o Ensino Médio, a escrita não só
facilita a aprendizagem de conteúdos curriculares, mas também promove habilidades
essenciais, como a capacidade de comunicação, a organização do pensamento e a
expressão criativa.


Benefícios da Escrita na Educação Infantil:
* Aprimoramento das habilidades motoras finas,
* Desenvolvimento cognitivo e foco
* Concentração e atenção,
* Raciocínio lógico
* Organização das ideias.
* Desenvolvimento da linguagem e vocabulário
* Preparação para a alfabetização formal.
* Ativamento das áreas do cérebro relacionadas à memória e ao processamento
visual. 
* Memorização de conteúdos e criação de conexão entre leitura e escrita. 
* Desenvolvimento de uma base sólida para futuras habilidades de leitura e escrita,

Digitação X Escrita cursiva


Digitar é uma atividade mais passiva e menos envolvente para o cérebro do ponto de
vista cognitivo. A escrita à mão, exige que a criança se concentre na forma de cada letra,
coordene o movimento da mão com o que vê e lembre-se das regras de ortografia e
gramática.

ALGUMAS ESCOLAS AMERICANAS


“A partir de 2024, crianças do primeiro ao sexto ano de escolas públicas da Califórnia
(EUA) estão novamente tendo de aprender a escrever em letra cursiva.
Essa escrita à mão havia saído do currículo californiano em 2010, mas agora está de
volta — movimento semelhante ao que ocorre em mais de 20 Estados americanos, em
diferentes graus.


Agora, a decisão na Califórnia reacende debates educacionais e científicos a respeito do
valor da escrita à mão, bem como dos benefícios ao cérebro e das implicações globais se
essa técnica acabar caindo no esquecimento.
A neurocientista Claudia Aguirre, que mora na Califórnia, diz que “mais e mais
pesquisas sustentam a ideia de que escrever letras em cursivo, especialmente em
comparação com digitar, ativa caminhos neurais específicos que facilitam e otimizam o
aprendizado e o desenvolvimento da linguagem”.

Karin James, professora de Ciências Cerebrais e Psicológicas na Universidade de
Indiana (EUA), aplica suas pesquisas em crianças de 4 a 6 anos. Ela identificou que
aprender as letras por meio da escrita à mão ativa redes do cérebro que não são ativadas
pela digitação num teclado. Isso inclui áreas cerebrais que têm papel crucial no
desenvolvimento da leitura.


Outra pesquisa, de autoria de Virginia Berninger (Universidade de Washington),
também mostrou que a escrita cursiva, os materiais impressos e a digitação usam
funções cerebrais relacionadas, porém diferentes.


Além disso, no caso da digitação em teclado, os movimentos do dedo são os mesmos
para qualquer tecla de letra. Como consequência, se apenas aprenderem a digitar, as
crianças perderão a chance de desenvolver habilidades obtidas ao compreenderem e
dominarem a capacidade de escrever.


O objetivo não é abolir o uso de aparelhos digitais e restringir a educação a livros e
cadernos. Mas sim entender os benefícios da escrita à mão e em quais momentos
priorizá-la pode ser uma boa estratégia para o desenvolvimento dos alunos em sala de
aula:
Em meio a tantas diferenças globais, as pesquisas ressaltam que não há lado negativo
em aprender letra cursiva. E embora a ligação entre escrever à mão e melhorar a leitura
não sejam necessariamente causais, alguns educadores temem que o abandono da letra
cursiva pode piorar o desempenho de alunos em sua capacidade de ler textos.
“É importante achar um equilíbrio para garantir que os alunos tenham habilidades que
sejam obtidas sem o uso da tecnologia”, opina a especialista Voltz-Poremba.

Fontes:
SITE SER PSICOPEDAGOGA.COM.BR
Reportagem de Nafeesah Allen, da BBC Future
Leia a reportagem original (em inglês) no site da BBC Future

O GLOBO — Rio de Janeiro 26/01/2024